18.3.05

Pensamentos

Por Krishnamurti

Vê-se que pensamento é a reação do conhecimento e da experiência, acumulados como memória e constituindo, assim, o fundo de onde procede a reação de pensamento a qualquer desafio; se vos perguntam onde morais, respondereis imediatamente. A memória, a experiência, o conhecimento constituem o fundo, a fonte de onde brota o pensamento. O pensamento, por conseguinte, nunca é novo; o pensamento é sempre velho; o pensamento jamais pode ser livre porque está preso ao passado e, por conseguinte, é incapaz de ver qualquer coisa nova. Quando compreendo isso com muita clareza, a mente se torna quieta. A vida é um movimento, um constante movimento de relações; e quando o pensamento procura prender esse movimento no passado, como memória, fica com medo da vida.
Se vemos bem isso, se vemos que liberdade é necessária ao exame (e para se examinar com clareza necessita-se da disciplina que é aprender, e não da disciplina que é repressão e imitação); se vemos que a mente está condicionada pela sociedade, pelo passado, e que todo pensamento procedentedo cérebro é velho e, portanto, incapaz de compreender qualquer coisa nova, então a mente se torna de toda quieta, sem ter sido controlada ou moldada para aquietar-se. Não existe sistema ou método - não importa se este sistema vem do Japão, com nome de Zen, ou se vem da Índia - capaz de aquietar a mente. A coisa mais estúpida que a mente pode fazer é disciplinar-se para se tornar quieta. Ora bem, se percebemos tudo isso, se o vemos realmente e não como enunciados teóricos, então, desse ver, vem ação: esse próprio percebimento é a ação que nos liberta do medo. Assim, qualquer temor é percebido, logo ao surgir, e imediatamente terminado.

(Texto extraído do livro "O Vôo da Águia" - J. Krishnamurti - Ed. ICK).